A última leitura de julho do Índice Seringueiro ficou em R$ 12,91/kg — abaixo de R$ 13,00 pela primeira vez desde 26 de maio. No mês, o recuo foi de 1,95%. A parte menos visível está na composição: o dólar mais fraco respondeu por mais da metade dessa perda em reais. O preço internacional da borracha caiu 0,90% no período; a taxa de câmbio PTAX, 1,06%.
Não é preço oficial — referência de estudo de mercado do Índice Seringueiro; negociações livres entre as partes.
O que o Índice fez (D-1 / D-7 / MTD)
A última leitura disponível da série é a de 29 de julho de 2026: R$ 12,9076/kg, equivalente a US$ 2,5202/kg convertidos pela PTAX de venda de 5,1217. A série pública não registrou leitura em 30 e 31 de julho até a publicação desta coluna — por isso, "julho" aqui vai da base de 30 de junho até 29 de julho, e não até o último dia do mês.
| Janela | Referência | Variação |
|---|---|---|
| D-1 | 28/07 — R$ 13,0076 | −0,77% (−R$ 0,10) |
| D-7 | 22/07 — R$ 13,0115 | −0,80% (−R$ 0,10) |
| MTD | 30/06 — R$ 13,1650 | −1,95% (−R$ 0,26) |
O detalhe que dá o tom do mês: os fechamentos de 27/07 (R$ 12,9333) e 29/07 são os primeiros abaixo de R$ 13,00 desde 26 de maio (R$ 12,9330). Entre 27 de maio e 24 de julho, nenhuma leitura ficou sob essa linha.
Leitura de mercado (contexto, não recomendação)
O Índice é o produto de dois números publicados na própria série: o preço internacional da borracha em dólar por quilo e a PTAX de venda do dia — a metodologia está descrita na página do Índice Seringueiro. Separar os dois componentes mostra de onde veio a queda de julho:
| Componente | Variação no mês | Efeito aproximado |
|---|---|---|
| Preço internacional (US$/kg) | −0,90% | −R$ 0,12 |
| Câmbio (PTAX) | −1,06% | −R$ 0,14 |
| Índice (R$/kg) | −1,95% | −R$ 0,26 |
Cerca de 54% do recuo do mês, portanto, veio da moeda, não do mercado da borracha. É uma distinção prática: um movimento de câmbio não diz nada sobre demanda, estoque ou safra — diz respeito ao dólar. Quem lê apenas o número em reais tende a atribuir ao setor uma oscilação que foi, em boa medida, monetária.
Mudando a régua de tempo, a conclusão se inverte. Do pico de 23 de junho (R$ 14,2352) até 29 de julho, o Índice caiu 9,33% — e aí o câmbio quase não pesa: o preço internacional recuou 8,39%, contra 1,02% da PTAX. Na janela do mês, mercado e moeda dividem a conta; na janela do trimestre, é o mercado internacional que manda. A mesma série conta duas histórias conforme o período observado — o que já aparecia no cenário de maio, quando volatilidade externa e estabilidade interna conviveram.
Sobre patamar: mesmo abaixo de R$ 13, a leitura de 29/07 está 1,8% acima da mínima do trimestre (5 de maio, R$ 12,6794) e distante da faixa de fevereiro, quando a série oscilou entre R$ 11,36 e R$ 12,36. A média das leituras de julho (R$ 13,19) segue superior à de maio (R$ 12,99), ainda que abaixo da de junho (R$ 13,70).
Vale a lembrança de sempre: o Índice acompanha o mercado internacional convertido em reais. Ele não é o preço mínimo da borracha — esse tem tabela própria, valores e vigência definidos, como explicamos em preço mínimo e DRC. Também não incorpora frete, DRC do material, impostos ou condição regional, que é onde a negociação de fato acontece.
O que observar adiante
Três pontos merecem atenção nas próximas semanas.
O primeiro é se dólar e preço internacional voltam a andar na mesma direção. Em julho, ambos caíram — e as quedas se somaram no bolso de quem vende em reais. Quando andam em sentidos opostos, o Índice pode ficar aparentemente estável escondendo um movimento forte lá fora.
O segundo é a linha dos R$ 13,00. Ela foi perdida em duas das últimas três leituras do mês; se as leituras de agosto se firmarem abaixo dela, o patamar de referência do trimestre passa a ser outro. A mínima de 5 de maio (R$ 12,6794) é o piso do trimestre; abaixo dela, só as leituras do início do ano.
O terceiro é o próprio ritmo do mercado externo, principal fonte de variação no trimestre. Enquanto a origem da oscilação estiver lá fora, a leitura útil é a de tendência — acompanhada em conjunto com o panorama do mercado brasileiro, que reúne produção, demanda e políticas do setor.
Dados do Índice Seringueiro lidos na série pública em 31 de julho de 2026. Última leitura disponível: 29 de julho de 2026. Preço internacional em dólar e PTAX de venda conforme publicados na própria série.

